Capítulos reais de uma mãe atípica
Memórias, desafios, fé, amor e a história que continua sendo escrita todos os dias.
Olá, eu sou Josi Dias.
Antes de ser criadora de conteúdo, sou esposa, mãe de três filhos e uma mulher que aprendeu que a vida raramente segue os caminhos que imaginamos.
Sou mãe do Bryan, autista, com TDAH e altas habilidades; do Noah, autista não verbal, com epilepsia e muitas necessidades de suporte; e da Chloe, minha caçulinha cheia de personalidade, que também está em processo de investigação.
Ao longo dos anos vivi momentos que me transformaram profundamente. Alguns foram marcados por medo, dúvidas e lágrimas. Outros por descobertas, aprendizados, fé e pequenas conquistas que só quem vive a maternidade atípica consegue compreender.
Este diário nasceu do desejo de guardar essas histórias.
Aqui você encontrará capítulos da minha trajetória, lembranças importantes, reflexões, registros do cotidiano, fotografias, pensamentos, orações e fragmentos dos dias que deixaram marcas no meu coração.
Nem todas as páginas serão longas. Algumas terão apenas uma fotografia. Outras serão escritas em dias de cansaço, quando a rotina não permitir mais do que poucas palavras.
Este não é um diário perfeito.
É um diário verdadeiro.
Um espaço onde compartilho a beleza, as dificuldades, as alegrias, os medos e os aprendizados de uma caminhada que ainda está sendo escrita.
Seja bem-vindo. Sinta-se à vontade para caminhar comigo por estas páginas.
Porque esta não é apenas a minha história.
Em muitos momentos, ela pode ser também um pedaço da sua.
Entradas do Diário
Hoje foi um dia diferente. Mais calmo do que os últimos.
Saí com meu esposo e com as crianças para almoçar e, por incrível que pareça, foi um almoço até tranquilo, principalmente comparando com os últimos que tivemos.
Esses pequenos momentos parecem simples para muita gente, mas para nós têm um peso enorme. Quando conseguimos sair, comer, respirar um pouco e voltar para casa sem grandes crises, parece que o coração ganha um descanso.
Noah também está mais ativo. Graças a Deus, as crises convulsivas têm diminuído. Hoje ele ainda teve um espasmo ao acordar, enquanto estava assistindo TV, mas mesmo assim percebo ele diferente.
Há cinco dias, tomamos uma decisão difícil: tirar o tablet completamente.
Confesso que os três primeiros dias foram muito difíceis. Ele se desregulou bastante. Chorou, sentiu falta, procurou, estranhou.
Mas, ao mesmo tempo, começamos a perceber algo que há muito tempo queríamos ver: Noah está mais atento, mais presente, mais participativo.
Por muito tempo tivemos vontade de tirar o tablet, porque o hiperfoco dele nos desenhos estava prejudicando muito. Mas também tínhamos medo. Medo de tirar de uma vez e as crises piorarem. Medo de mexer em algo que, mesmo fazendo mal em alguns momentos, também parecia acalmar.
Só que, graças a Deus, até aqui tem acontecido o contrário.
Ainda estamos observando. Ainda estamos aprendendo.
Nós, como pais, erramos muito tentando acertar. Às vezes fazemos escolhas por medo. Às vezes demoramos para mudar. Às vezes mantemos algo porque estamos cansados demais para enfrentar o processo.
Mas hoje eu consigo olhar para esses últimos dias e sentir esperança.
Não porque tudo ficou fácil.
Mas porque, mesmo com erros e acertos, seguimos tentando.
Um dia após o outro.
Com medo, com dúvidas, com cansaço.
Mas também com muito amor.
Hoje o dia já começou apreensivo.
Noah tinha fisioterapia pela manhã, mas acordei sem saber se ele conseguiria colocar o pezinho no chão. Depois do susto de ontem, meu coração já levantou em alerta.
Quando ele tentou andar, não conseguiu apoiar direito. Colocava o pé no chão e logo sentava. Não parecia mais sentir tanta dor, mas ainda havia dificuldade.
Desmarquei a fisioterapia.
E, como acontece tantas vezes na maternidade, bastou eu desmarcar para ele começar a dar alguns passinhos.
Mesmo assim, ficamos atentos. Chegamos a nos programar para levá-lo fazer um raio-x, porque depois de ver um filho quebrar um pé, qualquer mancar assusta o coração da gente.
Mas, graças a Deus, com o passar das horas, ele foi melhorando. Aos poucos, voltou a caminhar.
Foi um alívio.
Minha mãe veio passar o dia com a gente, e isso também mudou o ritmo da casa.
Teve um momento muito gostoso: eu e a Chloe fizemos um bolo de chocolate. E ficou maravilhoso.
Fazia muito tempo que eu mesma não fazia um bolo para eles. Parece uma coisa simples, mas para mim teve um significado grande.
No meio da correria, das terapias, dos sustos, da casa, das preocupações e do cansaço, muitas vezes essas pequenas coisas vão ficando para depois.
Mas hoje, enquanto fazia o bolo com a Chloe, eu senti vontade de mudar isso.
Quero voltar a viver mais esses momentos dentro da minha própria casa.
Coisas simples. Um bolo. Uma tarde. Uma criança animada perto de mim. Um cheiro bom saindo do forno.
Hoje teve apreensão, teve cuidado, teve alívio.
Mas também teve minha mãe por perto, bolo de chocolate e uma vontade sincera de fazer diferente.
Nem sempre dá para mudar tudo de uma vez.
Mas talvez dê para começar por um bolo.
Hoje o dia começou como tantos outros.
A rotina da casa seguiu no ritmo de sempre: crianças, barulho, cuidado, pequenas demandas, coisas para resolver e aquele cansaço que parece andar junto comigo.
Mas hoje também teve um momento que deixou meu coração quentinho.
Bryan foi à sorveteria com a Chloe. Só os dois.
Ela ficou super animada em tomar sorvete com o irmão mais velho, e isso me tocou de um jeito especial.
Bryan não é muito de sair de casa, então ver ele vivendo esse momento com ela foi simples, mas enorme para mim.
Às vezes, pequenas cenas dizem muito.
Ver os dois juntos, fora de casa, vivendo algo leve, foi uma dessas alegrias que parecem pequenas por fora, mas ficam grandes aqui dentro.
Mais tarde, porém, levei um susto com o Noah.
Ele tem o costume de sentar em W, com as perninhas dobradas para trás, e acabou pulando nessa posição. Na hora, torceu o pezinho direito.
Meu coração apertou.
Ainda mais porque ele já estava mancando, se recuperando do pé esquerdo que tinha quebrado. E agora, justamente o outro pé.
À noite, ele não conseguiu mais andar.
Mediquei, observei, tentei manter a calma por fora, mas por dentro fiquei muito apreensiva. Tem medo que só mãe entende. A gente tenta respirar, tenta pensar com clareza, mas o coração dispara antes de qualquer resposta.
Depois fomos dormir.
Mas foi aquele dormir de mãe: o corpo deita, mas a cabeça continua acordada.
Hoje teve alegria e teve susto.
Teve sorvete, irmãos e um pedacinho de amor guardado no coração.
Mas também teve medo, cuidado e oração.
Porque a maternidade é assim: às vezes, no mesmo dia, o coração aquece e aperta.
Hoje foi um dia em que a Chloe exigiu muito de mim.
Nos últimos dias, ela tem ficado mais agitada que o normal. Ela tem dois anos e nove meses e, por enquanto, está em avaliação de Altas Habilidades.
Ela chama atenção o tempo todo, interrompe as conversas, pede presença, quer participar de tudo, ocupa a casa inteira com a intensidade dela.
E eu sinto que, nesses dias, o meu TDAH atrapalha ainda mais.
Quando a Chloe fala sem parar, me chama o tempo todo e interrompe cada tentativa de conversa, eu fico mais esquecida, mais perdida, mais desorganizada por dentro.
É como se eu começasse uma coisa e, antes de terminar, já tivesse outra acontecendo. Aí esqueço o que ia fazer, perco o raciocínio, deixo algo pela metade, tento voltar e já tem outra demanda me chamando.
A desorganização dela, misturada com a minha, vira um caos.
A casa parece acompanhar esse ritmo. Brinquedos, barulho, pedidos, roupas, coisas fora do lugar, pensamentos fora do lugar também.
Tem dias em que a maternidade não pesa por uma grande coisa, mas por muitas pequenas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Hoje foi assim.
Um dia de muito barulho, muita demanda e pouco espaço para respirar.
Ainda assim, quando olho para ela, tão pequena e tão intensa, eu tento lembrar que ela também está descobrindo o mundo do jeito dela.
Mas confesso: tem dias em que amar não tira o cansaço.
Só me faz continuar.
O começo deste diário
Hoje nasce este espaço.
Por muito tempo escrevi apenas dentro de mim.
Entre terapias, consultas, noites mal dormidas, alegrias inesperadas e desafios que poucas pessoas enxergam.
Mas senti que era hora de guardar essas memórias em algum lugar.
Não para contar uma história perfeita.
Mas para registrar uma história real.
Talvez alguns dias tenham muitas palavras.
Talvez outros tenham apenas uma fotografia e uma frase.
Mas tudo o que estiver aqui será verdadeiro.
Esta é a primeira página de muitas que ainda serão escritas.